A inclusão de crianças haitianas como imigrantes nas escolas brasileiras
22 de Outubro de 2018 - Fonte:Karina Merlino Ávila
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  • A imigração haitiana para o Brasil já faz parte do nosso dia a dia, mas surgem alguns questionamentos: como ocorre a adaptação e inclusão das crianças (filhos de imigrantes haitianos que, diariamente, adentram o país) com o contexto social e curricular do ambiente escolar? Na prática escolar, quais os critérios para a integração social e curricular para contribuir no ensino aprendizagem desse aluno imigrante? Em contrapartida, quais os obstáculos que a equipe pedagógica encontra nessa situação de adequação do seu currículo escolar para melhor receber esse aluno?

     

     Pesquisas recentes mostram que a socialização do aluno haitiano com o ambiente escolar e a aquisição da nova língua é mais dificultosa para a instituição escolar do que para o próprio aluno, pois a criança tem mais facilidade para a aprendizagem de uma Segunda Língua do que o adulto porque ela não tem medo de enfrentar as novas situações que encontra no dia a dia. Para que esse processo seja consolidado é preciso uma adequação dos currículos e de técnicas de aprendizagens expressivas que ressalte a cultura dos indivíduos aprendizes.

     

    A questão é discutir quais atitudes precisam ser tomadas para que essas crianças aprendam da melhor forma o “ensino por imersão”, sendo esse processo de menor impacto possível, sabendo que a falta do domínio da língua portuguesa os torna limitados no método de aprendizagem e nos vínculos com a comunidade escolar. Nesse paradigma intercultural surge o preceito em relação aos direitos humanos que se propõe a reconhecer o direito comum e a particularidade de cada pessoa, sem diferenças. O contato da língua como discurso e entendimento entre o ser humano são princípios típicos de valores sociais. A troca de experiências interculturais é muito importante para a aprendizagem de novas palavras e significados, nesse processo de aquisição de uma segunda língua.

     

    Esse cenário  se encaixa no pensamento de Teresa Cristina Rego que destaca a conquista da linguagem do sujeito como uma representatividade no seu desenvolvimento, e que não é somente no momento que o indivíduo atinge o ápice do relacionamento com os outros a sua volta e sim quando aprende a linguagem escrita,  retratando, assim, uma nova transição em seu desenvolvimento cognitivo, pois, partindo desse patamar, o sujeito consegue produzir ilustrações simbólicas da realidade que o cerca, e se concretiza através das trocas que consegue fazer com o seu semelhante.

     

    Para consolidar esse método é preciso uma adequação dos currículos e técnicas de ensino aprendizagem que tenha como princípio a valorização da cultura dos alunos imigrantes que precisam ser inseridos nesse novo ambiente escolar e social, em benefício da construção do saber sistematizado por meio de métodos pedagógicos que agregam a interculturalidade de prática escolar no âmbito de ensino.

     

    Bibliografia: REGO, Teresa Cristina. Vygotsky: uma perspectiva histórico cultural da educação. 18 ed. RJ: Vozes, 2007.

     

    Por: Karina Merlino Ávila

    E-mail: kavilamerlino@gmail.com

    * Este texto foi produzido para a disciplina de Linguística do Mestrado de Linguística de Letras (UNEMAT/Sinop), sob orientação da profa. Dra. Leandra Ines Seganfredo Santos.