Ler, AGORA, é Legal
25 de Setembro de 2018 - Fonte:Edna Senes Pereira de Souza
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  • O presidente Michel Temer assinou no último dia 12 de julho a Lei nº 13.696 que institui a Política Nacional de Leitura e Escrita. Diante disso, questiono-me sobre a relevância de tal feito. Que país é este onde se faz necessário uma Lei para promover o livro, a leitura e a escrita? Será que as pessoas não leem porque pensam que ler não é legal?!

     

    “Comprar livros sem ensinar o povo a ler mais parece um incentivo à indústria livreira que à leitura e escrita.”

    Sabemos que a leitura instrui, estimula a criatividade e a imaginação, alarga a visão, apura o senso crítico, transforma padrões – muda a mente das pessoas. Ler acrescenta aquela riqueza transferível, mas resguardada do roubo e do furto. Vemos no exemplo dos países de primeiro mundo que a leitura ocupa uma privilegiada posição na transformação de uma nação.

     

    Observa-se que os artigos da referida lei mencionam incentivos econômicos e premiações distribuídos entre editoras, escritores e livreiros, mas exclui a pessoa do leitor. Abarrotar bibliotecas, premiar escritores e aumentar o lucro de editoras pode, de fato, nos alçar ao aumento da leitura no país?

     

    Acredito já termos livros suficientes à prática da leitura. O que não temos, e isso nunca tivemos, é uma população com o hábito de ler. Seria o brasileiro um preguiçoso no que se refere à leitura? Creio que “o buraco é mais embaixo”. Ler e escrever exige, de antemão, acesso a uma alfabetização de qualidade. Quem teria prazer em fazer algo que não sabe ou que imprime sofrimento por sua alta complexidade?  Considerando a realidade, para além das questionáveis estatísticas do governo, percebemos que a maioria dos alunos permanece semi-analfabetos ou analfabetos funcionais ao longo de boa parte, se não, de todo o processo educacional. Por isso, ler tornou-se uma verdadeira “sofrência” nacional.  O que explica o Brasil estar, entre 30 países, na 27ª posição do ranking da leitura como hábito cultural.

     

    Notícias veiculadas recentemente nos ajudam a entender a real intenção desta Lei. A primeira delas, do dia 27 de junho, informa que o presidente Michel Temer se reuniria com representantes de editoras para tentar socorrer o setor que vive uma crise com prejuízos milionários. A segunda, do dia 18 de agosto, diz que o Conselho Superior da Capes prevê a suspensão de quase 200 mil bolsas a partir de agosto de 2019. Entre as quais, 93 mil de pós-graduação e outras 105 mil da formação de professores da rede básica de educação.

     

    Basta olhar para nossa história e veremos que a educação formal nunca foi uma prioridade do governo brasileiro. O país “descoberto” em 1500 teve sua primeira Universidade fundada mais de 400 anos depois. Na Suécia, por exemplo, esse intervalo foi de apenas 20 anos. Precisamos admitir que a “mãe gentil” não está preocupada com a formação intelectual da maioria de seus filhos, mas com o fomento as já letradas, e minoritárias, camadas dominantes.

     

    Comprar livros sem ensinar o povo a ler mais parece um incentivo à indústria livreira que à leitura e à escrita.

     

    Ler, AGORA, é Legal. O que continua não sendo Legal é o doloso homicídio aplicado, pelo governo, a nação brasileira sob o pretexto da Lei.

     

    Bibliografia:

    http://www.planalto.gov/ccivil_03/_ato2015-2018/2018/Lei/L13696.htm

    https://metro1.com.br – 27 de junho de 2018

    https://educacao.uol.com.br/noticias - 18 de agosto de 2018

    Por: Edna Senes Pereira de Souza

    e-mail: ednasenes@hotmail.com

    *Este texto foi produzido para a disciplina Teoria Linguística, do Mestrado (UNEMAT/Sinop), sob orientação da Profª. Dra. Leandra Ines Seganfredo Santos.